Prologo - A carta de Aceitação de Lusitânia Ibérica
Prologo
A carta de
Aceitação de Lusitânia Ibérica
Chamo-me André
Vilaça e, se vos dissesse que sou um feiticeiro, acreditariam em mim? Pois é
verdade, caros Muggles, o mundo que conhecem dos livros de Harry Potter não é
mera fantasia. O mundo feiticeiro existe, com os seus costumes e tradições, e o
nosso mundo feiticeiro português é tão rico quanto qualquer outro. Estudei na
prestigiada Escola de Magia e Feitiçaria de Lusitânia Ibérica, a maior da
Península Ibérica, onde tive a honra de ter como diretor o lendário Zenão
Ludovico, um dos maiores feiticeiros que já pisaram este mundo.
O meu primeiro contacto com Zenão
Ludovico foi através de um cromo dos sapos de chocolate – aqueles que, como
sabem, fogem antes que os consigamos comer. Era um cromo raro, e que cromo!
Zenão, um homem anafado, de cabelo e barba grisalhos, usava óculos redondos e
um fato com gravata que quase disfarçava a sua aura de feiticeiro. No cromo,
ele posava com uma imponência que me fascinava. “Quando fores para Lusitânia
Ibérica, vais conhecê-lo”, diziam-me os meus familiares, todos antigos alunos
da escola. A minha mãe, quando completei seis anos, ofereceu-me um livro
encantado chamado A História de Zenão Ludovico Contada às Crianças. As
ilustrações moviam-se enquanto lia, e eu ficava horas a folheá-lo, maravilhado
com as façanhas de Zenão: aos 16 anos, campeão de Quadribol pela Casa Ursa; aos
20, condecorado com a insígnia de Merlim; aos 40, diretor da Lusitânia Ibérica.
Ele derrotara o maior feiticeiro das trevas que a Península Ibérica conhecera.
Como não admirá-lo? O meu sonho era conhecê-lo, e esse momento chegou quando eu
tinha apenas oito anos.
Estava em Dragoncilhe, a maior
cidade feiticeira do Norte, a folhear livros numa livraria mágica, quando o vi.
Zenão Ludovico, em carne e osso, estava mesmo à minha frente, com um ar sério
que me deixou sem palavras. A minha mãe, percebendo o meu nervosismo, disse-lhe
que eu o admirava e que sonhava ser um feiticeiro como ele. Zenão olhou-me,
sorriu e disse apenas:
– Vai em frente, miúdo, se é
isso que desejas.
Estendi a mão, trémulo, e
ele apertou-a com firmeza. Um jornalista do Diário Mágico Ibérico captou o
momento numa fotografia mágica. Quando a vi, senti-me envergonhado ao lado do
meu herói, mas a minha mãe colocou-a num quadro encantado para que eu nunca
esquecesse aquele dia. Todos os anos, em setembro, levava os meus irmãos à
estação feiticeira de São Bento, onde apanhavam o Lusitânia Ibérica Expresso.
Ficava triste por os ver partir enquanto eu permanecia em casa. A minha mãe
consolava-me:
– Um dia, meu filho, também
irás.
Até aos 11 anos, frequentei uma
escola Muggle. A minha mãe insistia para que me comportasse como um
não-feiticeiro, mas, às vezes, quando me sentia ameaçado, a magia escapava-me
sem querer. Eram pequenos incidentes – objetos que se moviam sozinhos, papéis
que flutuavam – e ninguém notava que era magia. Certa vez, injustiçado por uma
professora Muggle, fiquei tão furioso que livros e papéis voaram das
prateleiras da sala. Por sorte, todos culparam o passado da escola, que outrora
fora um hospital de tuberculose. “Está assombrada!”, diziam.
O Ministério da Magia Ibérico enviava cartas à
minha mãe, alertando que eu deveria estudar em casa, mas ela ignorava-as para
não levantar suspeitas entre os vizinhos Muggles. Quando os meus irmãos
regressavam no Natal, eu ouvia, fascinado, as histórias da Lusitânia Ibérica.
“Um dia também irás”, diziam em uníssono, e eu sonhava com esse momento. Mas
quando chegaria a minha carta? Ainda tinha 10 anos, faltava um ano inteiro entre
os Muggles. Em junho, completei 11 anos e celebrei com uma grande festa junto
da minha família feiticeira. Convidei alguns amigos Muggles, que acharam a
minha família... peculiar. As roupas, os maneirismos, as conversas sobre
colégios internos misteriosos – os vizinhos sempre desconfiaram de nós, mas
nunca descobriram a verdade. Dias depois do meu aniversário, enquanto
conversava com a minha avó na sala, ouvi bicadas na janela. Corri a ver e
deparei-me com um falcão majestoso que deixou cair uma carta com o meu nome:
Para:
André Vilaça
Rua da Senhora da Luz, nº 27
Foz do Douro, Porto
Tremendo de excitação, abri a carta
com cuidado. A minha avó, sorrindo, perguntou:
– Não a vais abrir?
E assim o fiz. Li, com o
coração a bater descontrolado:
Escola de
Magia e Feitiçaria de Lusitânia Ibérica
Caríssimo
André Vilaça,
Temos o prazer de informar que
foste aceite na Escola de Magia e Feitiçaria de Lusitânia Ibérica. Os alunos
serão obrigados a comunicar à Câmara de Recepção a sua chegada nas datas que
serão devidamente avisadas. Por favor, presta a maior atenção possível à lista
de materiais anexada a esta carta. Estamos muito ansiosos por te receber como
parte da nova geração da Herança de Lusitânia Ibérica. Atenciosamente,
Lurdes Azeredo
Diretor: Zenão Ludovico, Ordem de Merlim, Primeira Classe dos Druidas Andrus e
Primeira Classe, Grande Feiticeiro
Corri pela casa, com a carta na mão,
gritando:
– Mãe, vou finalmente para
Lusitânia Ibérica!
A minha mãe, sorrindo na cozinha,
respondeu:
– Então, temos de fazer uma
visita à Rua Dragoncilhe! E assim começou a minha aventura no mundo feiticeiro,
com o sonho de seguir os passos do grande Zenão Ludovico e de me tornar parte
da gloriosa herança de Lusitânia Ibérica.


.jpg)
Comentários
Enviar um comentário