Capítulo Um - A Sombra do Filho do Rock”
O cantor Heitor Lorenzo era um veterano do rock. Não um simples músico de palco… mas um homem que atravessara décadas carregando nas mãos as marcas invisíveis da glória — e da queda. Nos anos setenta, lançara um disco chamado “Viagem a Marte” . Dizia — com uma mistura de orgulho e ferida aberta — que a crítica o considerara o Dark Side of the Moon português. Um trabalho ousado. Psicadélico. Intenso. Um álbum que, segundo ele, mudara o rumo do rock nacional. Mas naquela manhã, no camarote da SIC, nada disso parecia importar. Heitor estava diante do espelho. O reflexo devolvia-lhe um rosto envelhecido, sulcado pelo tempo… e por algo mais profundo: culpa. Ele sempre gostara mais do piano do que da guitarra elétrica. O piano era confissão. A guitarra era palco. E talvez fosse essa escolha íntima — esse amor silencioso pelas teclas — que o assombrava todas as noites. Havia uma culpa que o fazia acordar suado. Uma culpa que o fazia gritar no escuro. — Eu não tive cul...
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